Acordamos muito tarde, e ficamos em casa boa parte do dia. Sou assim, se passo frio à noite acordo disposto apenas a entocar-me. Tudo bem, energias precisavam ser recuperadas. O porquinho assou, comemo-lo com batatas e cebolas. Saímos por volta das 17h e fomos para as redondezas da Gare Montparnasse pra mó de eu comprar um chip francês pro meu celular. Brown disse que sabia onde estávamos indo e obviamente que estávamos já quase atravessando o Boulevard Périphérique quando demo-nos por vencidos e voltamos. Sem chip, pegamos o metrô e fomos até a estação Chatêlet. Mais tarde teria despedida da belga Anneleen no mesmo bar da outra noite. A rua, que é antiga, cheia de histórias, chama-se Mouffetard - aprendi ontem.
Descemos na Chatêlet porque íamos esquentar-nos na casa de Panos, um grego da faculdade do Allan. Panos é amigo de John, o dono da primeira festa, aquela do vexame. Não me senti muito bem recebido, e foi-me perguntado algo do tipo 'so, it was you the guy that was lying like dead on the staircase?' Não pensei em resposta melhor que 'yes, it was me'.
A verdade é que estou contando tudo isso pra encher linguiça - ontem foi um dia vazio, digno de uma terça-feira friorenta paulistana, onde minha maior aventura seria fazer algum download ilegal (pega eu, SOPA). Mas algo aconteceu ontem, sim, algo aconteceu que me encheu o coração. Paris é uma cidade que te apaixona a cada esquina, isso todo mundo diz e quem sou eu pra negar?! Contudo, entre as luzes, os prédios, os boulevards, há algo que muito mais pode acender le coeur daquele que é tão sensível à beleza feminina.
Les femmes parisiennes, nem todas nascidas ou vividas em Paris, mas todas com certeza parisiennes, emprestam da cidade as luzes, os cheiros, as cores e tudo o que nós homens podemos fazer frente a este espetáculo é entender o mundo. Compreendemos, quando nesta cidade, algo que sempre desconfiamos - não, James Brown, this isn't a man's world - o mundo é das mulheres. O mundo é delas e nós somos meros espectadores... Mero espectador, dedico-me a vê-las passar, e queria poder dedicar-me somente a isto pelo resto da vida...
Nenhum comentário:
Postar um comentário