Ontem eu e Brownzinho acordamos às 13h, horário de Paris, e saímos para almoçar. Fiquei de pagar um almoço pro menino por culpa do que tinha feito na noite anterior. Saímos de rolê pelas ruas de Montparnasse, mas só tinha restaurante chique. Achamos um italiano que parecia ser menos leite com pera e sentamo-nos. Um garçom até que bem humorado trouxe-nos uma lasanha à bolonhesa e um tagliatelli com salmão no mínimo decepcionantes. Nada que não acharíamos na seção de congelados do Pão de Açúcar. Voltamos para casa e ficamos por aqui um tempo. No final da tarde pedi que fôssemos à Champs Elysées, pra eu dar uma olhada no Arc de Triomphe. Ofuscou-me a visão, não o Arco, mas os flashes dos coreanos que não olhavam à enorme construção senão pelas lentes de suas câmeras. Mas o Arco, sim, enorme, resplandecente, me atraiu e me cativou. Algum tipo de cerimônia militar estava acontecendo, e como já estava anoitecido e frio, decidimos voltar logo para casa, pois sairíamos com os amigos do Brown.
Andando pela Champs Elysées interessei-me muito pelos seres humanos. Ser humano é um bichinho que gosta de luz, de cor, de luz piscando cores diferentes. Aí é batata, faça uma avenida cheia de lojas com luzes e cores na fachada e seja rico. Vi com muito gosto a fila enorme que saía da Louis Vuitton.
Chegamos em Montparnasse e fomos ao mercado comprar algo para comer. Optamos por um porquinho e umas batatas, barato e gostoso. A batata é meio árida, o purê ficou meio seco. Mas delicioso, já que eu que cozinhei. Arrumamo-nos e fomos ao River Bar, que fica em um bairrinho cujo nome me foge, mas famoso por seus bares, a quantidade de estrangeiros e por ser lar da escadaria em que todo dia à meia-noite Owen Wilson pegava uma carona à década de 20. No River Bar estavam Ana e Elena, a espanhola e a romena que eu conhecera na noite passada. Muito simpáticas, as duas. Conversamos, os quatro, por umas duas horas, em inglês - é a língua que os Erasmus (é nome do grupo de intercambistas europeus, mas o termo foi ampliado para que outros intercambistas caibam) usam para se comunicar, ainda que o francês apareça vez em quando.
As meninas quiseram ir embora e fomos comer um crêpe de Nutella com elas. Demos au revoir e andamos mais um pouco pelo bairro. Muitas fromageries, pretendo voltar um dia para comprar um belo dum Brie. Somos lindos, vocês sabem, e fomos parados por duas moças. 'Bon soir!', uma delas disse, e veio conosco vomitando um francês incompreensível aos meus ouvidos. Allan entendeu, claro, e conversou um pouco com ela. Apresentamo-nos, ela apresentou a si e à sua amiga. Quem acha que esse é o começo de uma história de amor em Paris, tira o pônei da chuva - eu e Brown somos exigentes (sem contar que ele tá de rolo com uma romena) e as meninas eram um tanto feias. Decidimos ir a pé pra casa, e passamos pela Sorbonne e pelos fundos do Panthéon.
Chegamos em casa e ficamos conversando por algumas horas com o roommate do Brown, um paranaense de nome Alexandre. Faço um capítulo exclusivo a ele quando tiver material. Estou esperando o resto do porquinho assar, depois vamos dar um rolê de bicicleta.
Tartare é a porção do Mundo Inferior grego que se opõe aos Campos Elíseos. A este vão os mortos célebres, espécie de paraíso. Àquele, as almas podres. Não, não quero entrar numas de criticar as 'almas podres' que querem a todo custo comprar uma bolsa na Louis Vuitton. Coloco os polos na mesa pra que possamos chegar na média aritmética - pois é na média aritmética que todos nós vivemos.
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