Não há mais muito o que falar deste dia. Posso dizer que me diverti muito mais que posso dar a entender com narrações, por dois motivos: 1) O álcool apagou parte de minha memória; 2) O tempo também o fez - não me lembro mais de detalhes que poderiam ser significativos. Tento contar levianamente, portanto, o que se passou daí em diante.
Lara precisava ir embora, em verdade precisava ter ido embora havia muito. Gustavo, que mora com ela, levou-a para casa. Íamos entrando no ônibus, eu e Brown, e foi por pouco que conseguimos sair. Não era aquele ônibus que pegaríamos para ir pra casa e não iríamos pra casa, ainda. Marta chamou-nos para ir a uma balada. Balada. Eu. Vamos, né?! Era de graça pra entrar, como a maioria das coisas que vimos aqui nas Europa. O som era aquele de sempre, aquele que sinto que ouço desde que cheguei no Velho Mundo - puts puts e Michel Teló. Fiz alguns amigos, ainda mais no banheiro. 'Je parle pas français, je suis brésilien' já bastava para ganhar um abraço (as calças já cobrindo as partes íntimas, aos engraçadolhos) e um sorriso. 'Ronaldinho'!
Conversei com variados personagens, em variados idiomas (em maioria idiomas que não falo um A), dancei, daquele jeito que só eu sei, em cima dum palquinho, etc. O mais que aconteceu nesta noite não vale para contar minhas experiências na Europa pois foram todas coisas que eu faria tranquilamente no Brasil. Voltamos, eu, Clarita e Brown, quando o metrô já estava aberto de novo e o dia começava a despontar no horizonte.
Lapanassô é sinônimo de aventura.
Incluo aqui nosso segundo dia em Lille, pois é breve, para que possa dar início ao próximo post.
Dormi no chão, a Clerissa não me deu alternativa, e a janela entreaberta permitiu-me um ventinho muito gostoso na cara. Acordei, portanto, com dor de garganta. A ressaca tava braba pros meus dois amigos, não pra mim, que já sou calejado, e a fome era enorme para nós três. Fomos para o centro e mandamos um kebab violento. Tive dificuldades para terminá-lo, pra vocês verem como o bicho era grande. Andamos bastante por Lille, que se mostrou muito mais simpática durante o dia. Se da noite anterior tinha ficado a impressão de que Lille era boêmia em excesso, quase suja (apesar de acolhedora, mas isso por culpa de seus habitantes), com nossas andadas vimos que a cidadezinha é adorável, em muitos aspectos. Senti-me finalmente na Europa (agora muito mais que no dia anterior). Se quiserem ver fotos da cidade, vão ao Facebook do Allan Martino ou da Clarissa Ximenes, não tenho qualidades descritivas suficientes para dar um retrato verossímil da cidade.
Estávamos na Catedral de Notre-Dame de Lille quando começamos a sentir cheiro de prédio em chamas. Fomos à rua e vimos a quantidade de fumaça. Vimos também cinzas que vez ou outra desciam suavemente do céu. A fumaça era insuportável pro meu sistema respiratório e por isso decidimos ir para mais perto do foco, onde havia menos fumaça. Os pompiers de Lille trabalhavam arduamente para não deixar as pessoas verem o que estava acontecendo. Não precisaram de muito esforço, porém, pois algo foi enviado dos céus para desviar nossa atenção (ser humano adora olhar pro fogo, mas adora mais outra coisa) - 'Nossa, tá chovendo cinza! Ah, não, não é cinza! É neve! Tá nevando!'
Iupiiii! Pouco tempo depois começou a nevasca. Durante uma hora e meia caiu gelo do céu e os três brasileiros se divertiram como não tinham se divertido nesta viagem. Clarinha levou um tombo, claro. Brown levou altos pipocos de bola de neve - e não acertou nenhum em mim. Foi super. A neve parou de cair e horas depois a gente cansou, então decidimos ir pra casa. Entre o metrô e a casa da Clá era uma caminhada, e eu e Brown fizemos uma competiçãozinha de bola de neve. Eu ganhei, claro, tanto em consistência, quanto em peso, quanto em tamanho. Tomamos um banho, checamos o face, demos uma dormidinha curta e voltamos ao centro. A noite caiu sobre a neve e o espetáculo estava feito.
Depois de uma pernada no centro e um McDô, fomos à casa de uma italiana, amiga do Diego, outro brasileiro residente de Lille. Tinha umas 15 pessoas, cada uma mais diferente da outra. Todavia não posso dizer que foi muito divertido pois não nos enturmamos muito. Um bobão de cabelo comprido tava me irritando e Brown também não estava muito pra conversar. Voltamos a pé, praticando nosso novo esporte favorito, o Deslizamento em Asfalto com Gelo, do qual eu sou campeão e Brown é vice, claro.
Lille acabou, e embarcamos para Bruxelas no outro dia ao meio-dia. Lá o lapanassô que é uma beleza, fique atento!
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Lapin Assault - capitulo 2,0
Ao sair do segundo bar, estávamos bêbados. Lara estava tropeçando, soluçando, a coisa tava braba. Eu e Brown éramos os únicos do grupo que não estavam muito preocupados em ajudá-la - não porque não temos coração, ou nada do tipo, mas porque estávamos nos divertindo à beça falando mal dos outros e etc. Fomos andando pela rua, cheia de bares e gente em idade universitária. Nos sentíamos muito bem com a hospitalidade do pessoal em Lille - em Paris, impossível começar uma conversa com um desconhecido e esperar receptividade - e nos divertíamos com os estranhos, talvez do mesmo jeito que é possível fazer nas ruas de São Paulo.
Lara estava muito mal, já tinha caído algumas vezes, e entramos, portanto, em outro bar. O bar era menor e mais escuro que o anterior, com muito menos gente. Na entrada, um balcão e algumas mesas, e mais aos fundos, um sofá com uma mesinha na frente. Neste sofá estavam dois garotos, de uns 18 ou 19 anos. Não esperei meus escrúpulos chegarem e sentei-me ao lado deles. Parecia uma espécie de salinha reservada, e eles me olharam de um jeito um pouco ameaçador. Na mesa, várias bebidas - garrafas de destilados pela metade, batidas em jarras, copos sujos e latinhas de cerveja sugeriram que a festa tinha acabado e só sobraram aqueles dois por lá. Não falavam inglês, então comecei a falar em francês com eles, juro, e ainda me é mistério o fato de termos conseguido conversar. Mal, mas houve compreensão. Consegui arrancar deles um copo de whisky. Eu queria muito dizer pra um deles que ele parecia o Owen Wilson, mas não consegui. Chamei o Brown, então, para sentar-se conosco e traduzir a conversa. O resto do pessoal estava dançando e bebendo mais.
Divertimo-nos um pouco com os dois franceses e Brown roubou as luvas de um deles (censurei-o por isso no outro dia, mas não sem aproveitar pra usar as luvas, bem quentinhas, por muitos dias). Estávamos naquele estado da bebedeira livre de superego, e os arrependimentos (digo isso só porque minha mãe está lendo) apareceram no dia seguinte pelas coisas que fizemos então, tão somente por culpa da bebida.
El Magico, que deixamos no primeiro bar de nossa noite, estava de volta. Apareceu como que por mágica, coincidência ou não, e fez uma mágica de baralho comigo. Boa, a mágica. Ele era meio latino ou espanhol, sei lá. Teria jeito de Don Juan não fosse as roupas excessivamente underground. Dançou horrores, coreografias do Michael Jackson e tals, e forneceu-nos divertimentos mil. Deu 3 horas, porém, e os donos do bar estavam pedindo para que fôssemos embora. Lara estava mal, ainda, e eles deixaram ficarmos mais um pouco. Mas El Magico estava sendo expulso, mesmo com seu copo de cerveja pela metade. Sentou-se no balcão e falou que não sairia enquanto não terminasse a cerveja. Um homenzarrão e um mulherão gritavam com ele, e obrigavam-no a beber mais rápido. Ele dava uns golinhozinhos de nada. Eu falei pra ele, em espanhol, que bebesse logo a cerveja para que fôssemos embora. O homenzarrão gritou comigo, então, mandando-me calar a boca ou eu é que seria expulso. Tentei falar em francês que estava só tentando fazer El Magico beber logo, sem sucesso. Recebi outro cala boca e uma olhada nervosa. Repetiu-se a cena, meu amigo levou de novo patadas e patadas. Disse para ele de novo para que terminasse logo a cerveja e acabei sendo expulso. Duas garçonetes e um fortinho me empurraram pra fora do bar e ninguém viu. Uns 5 minutos de frio depois, Brown e Clarissa aparecem do lado de fora e me perguntam 'outra vez?'. Desta vez tinha sido por bom-mocismo, pelo menos.
Tá ficando longo demais, divido este 2º capitulo em dois, assim teremos, ainda, dois capitulos como o prometido. Um capitulo mais dois meios capitulos. Brownzinho tem apresentação da Fanfarra e vou encontrá-lo se eu encontrar aqui no Google Maps o lugar onde devo encontrá-lo.
Lara estava muito mal, já tinha caído algumas vezes, e entramos, portanto, em outro bar. O bar era menor e mais escuro que o anterior, com muito menos gente. Na entrada, um balcão e algumas mesas, e mais aos fundos, um sofá com uma mesinha na frente. Neste sofá estavam dois garotos, de uns 18 ou 19 anos. Não esperei meus escrúpulos chegarem e sentei-me ao lado deles. Parecia uma espécie de salinha reservada, e eles me olharam de um jeito um pouco ameaçador. Na mesa, várias bebidas - garrafas de destilados pela metade, batidas em jarras, copos sujos e latinhas de cerveja sugeriram que a festa tinha acabado e só sobraram aqueles dois por lá. Não falavam inglês, então comecei a falar em francês com eles, juro, e ainda me é mistério o fato de termos conseguido conversar. Mal, mas houve compreensão. Consegui arrancar deles um copo de whisky. Eu queria muito dizer pra um deles que ele parecia o Owen Wilson, mas não consegui. Chamei o Brown, então, para sentar-se conosco e traduzir a conversa. O resto do pessoal estava dançando e bebendo mais.
Divertimo-nos um pouco com os dois franceses e Brown roubou as luvas de um deles (censurei-o por isso no outro dia, mas não sem aproveitar pra usar as luvas, bem quentinhas, por muitos dias). Estávamos naquele estado da bebedeira livre de superego, e os arrependimentos (digo isso só porque minha mãe está lendo) apareceram no dia seguinte pelas coisas que fizemos então, tão somente por culpa da bebida.
El Magico, que deixamos no primeiro bar de nossa noite, estava de volta. Apareceu como que por mágica, coincidência ou não, e fez uma mágica de baralho comigo. Boa, a mágica. Ele era meio latino ou espanhol, sei lá. Teria jeito de Don Juan não fosse as roupas excessivamente underground. Dançou horrores, coreografias do Michael Jackson e tals, e forneceu-nos divertimentos mil. Deu 3 horas, porém, e os donos do bar estavam pedindo para que fôssemos embora. Lara estava mal, ainda, e eles deixaram ficarmos mais um pouco. Mas El Magico estava sendo expulso, mesmo com seu copo de cerveja pela metade. Sentou-se no balcão e falou que não sairia enquanto não terminasse a cerveja. Um homenzarrão e um mulherão gritavam com ele, e obrigavam-no a beber mais rápido. Ele dava uns golinhozinhos de nada. Eu falei pra ele, em espanhol, que bebesse logo a cerveja para que fôssemos embora. O homenzarrão gritou comigo, então, mandando-me calar a boca ou eu é que seria expulso. Tentei falar em francês que estava só tentando fazer El Magico beber logo, sem sucesso. Recebi outro cala boca e uma olhada nervosa. Repetiu-se a cena, meu amigo levou de novo patadas e patadas. Disse para ele de novo para que terminasse logo a cerveja e acabei sendo expulso. Duas garçonetes e um fortinho me empurraram pra fora do bar e ninguém viu. Uns 5 minutos de frio depois, Brown e Clarissa aparecem do lado de fora e me perguntam 'outra vez?'. Desta vez tinha sido por bom-mocismo, pelo menos.
Tá ficando longo demais, divido este 2º capitulo em dois, assim teremos, ainda, dois capitulos como o prometido. Um capitulo mais dois meios capitulos. Brownzinho tem apresentação da Fanfarra e vou encontrá-lo se eu encontrar aqui no Google Maps o lugar onde devo encontrá-lo.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Lapin Assault - capitulo 1
Prepare-se, mãe, pois não gostarás nem um pouco do post a seguir. Sugiro que, se a curiosidade permitir, pare de ler.
Chegamos em Lille. O trem é super rápido, o trem é bala, e chegamos rapidinho - deu nem pra abrir o livro. Clarisse encontrou-nos na estação, não sem se atrasar meia hora. Pegamos o metrô - são apenas duas linhas na cidade, que é pequetita - até a estação Fives e viemos andando até o conjunto Robespierre de moradias estudantis. Não sem antes passar no mercado e comprar nossa alimentação noturna. O bairro é meio perifa e cheio de muçulmanos, tem até uma mesquita na frente do prédio de habitação. Mas é bem bonitinho, cas casinha tudo igualzinha e tchutchutchu. Uma coisa que Brown mais tarde veio a falar da cidade serve-me para descrever minhas sensações, também - em Lille sentimo-nos na França, finalmente. Paris é muito maior que a França, muito maior.
No pequeno apartamento arrumamo-nos e deixamos a mulher cozinhar. Como a cultura aqui por perto é bastante muçulmana, achamos justo sermos servidos, e mais, obrigamos Clarice a cobrir a cabeça. Ela fez-nos um purê de batatas e a desculpa pra ele não ter sido um purê, mas um monte de pedaço duro de batata, é que 'só tem duas bocas de fogão, não consigo controlar tudo, a batata não cozinhou'... Tudo bem, estava muito bom. Fomos ao campus universitário, onde rolaria um festival de bandas. O lugar, a Maison des Étudiants, é meio maluco, uma espécie de Centro Acadêmico, como temos na USP, mais arrumadinho, e mais orgânico, sei lá. A cerveja era ecossustentável e alguém escreveu 'ouvrez votre soleil interieur' no muralzinho. A banda que vimos foi bem esquisita, de um jazz etíope, cheio de quebradeira com um cantor muçulmano malucão, com alcance vocal surpreendente. A vibe do lugar tava meio estranha, decidimos ir à cidade. Nesta, já havíamos conhecido Manolo, Marina, Marta, espanhóis, e Gustavo e Lara, brasileiros, todos amigos da Clarissa, intercambistas aqui em Lille.
Primeiro round: bar Salseiro. Banda de Ska maomenos, vários loucão. Manolo alertando-nos de como Lille pode ficar violenta quando regada a álcool, um amigo dele tinha levado uma cutillada em uma briga de bar, outro uns pontos na cabeça. Acalmem-se, não foi nada disso que aconteceu conosco - o destino reservara-nos algo menos violento e mais divertido. Um árabe começou a falar com o Brown sobre como a França é maravilhosa, falando coisas do tipo 'a maioria dos árabes e muçulmanos daqui é meio enfezada, fala que existe muito preconceito, mas tudo depende de como você se posiciona em relação a isso, eu superei...'. Esse bar esgotou-se e fomos embora quando uns bêbados começaram a encher muito as meninas. Um dos personagens da noite conhecemos neste bar - El Magico es su nombre. Fomos então ao segundo round, descrito a seguir.
Segundo round: fomos à rua Solferino, lugar dos bares mais pops de Lille. Entramos em um bonito, com cara de hamburgueria americana, e bebemos umas cervejas. Fizemos alguns amigos franceses, que estavam fazendo aula de espanhol e queriam gastá-lo conosco. Ficamos um bom tempo lá, até eu e Brown sermos expulsos. Não fizemos nada de mais, juro. É que a cerveja é meio cara e eu vi um pint dando sopa, só que atrás do balcão. Estava lá há muito tempo e não tinha dono. Entrei no balcão e peguei, com sucesso. Mas aí vem o exagero: da primeira vez funcionou, por que não funcionaria da segunda? Saímos para tomar um ar e quando voltamos, roubei a cerveja do segurança, um negão gordo com quem tínhamos conversado um pouco na entrada. A cerveja estava num balcão atrás dele, e ele estava brigandinho com uma galera na porta. Peguei a cerveja, saí andando e ele gritou pra mim. Fingi que não sabia o que estava acontecendo, claro. Ele veio e mostrou que sabia que eu estava com sua cerveja. Fui devolvê-la e ele foi pegá-la de mim ao mesmo tempo e o resultado é que a cerveja caiu toda nele. O verbo 'foder' conjugado na primeira pessoa do singular no pretérito simples me piscou em neon na cabeça. Mas, como o professor que fica triste de ter que tirar o aluno da sala, apenas apontou-nos a saída - Brown estava do meu lado. Chamamos o resto da galeris e fomos ao terceiro round.
Estamos meio atrasados pra pegar o trem pra Bruxelas, então divido em dois este post. Tem MUITA coisa pra acontecer, ainda, viu, amiguinhos?
Chegamos em Lille. O trem é super rápido, o trem é bala, e chegamos rapidinho - deu nem pra abrir o livro. Clarisse encontrou-nos na estação, não sem se atrasar meia hora. Pegamos o metrô - são apenas duas linhas na cidade, que é pequetita - até a estação Fives e viemos andando até o conjunto Robespierre de moradias estudantis. Não sem antes passar no mercado e comprar nossa alimentação noturna. O bairro é meio perifa e cheio de muçulmanos, tem até uma mesquita na frente do prédio de habitação. Mas é bem bonitinho, cas casinha tudo igualzinha e tchutchutchu. Uma coisa que Brown mais tarde veio a falar da cidade serve-me para descrever minhas sensações, também - em Lille sentimo-nos na França, finalmente. Paris é muito maior que a França, muito maior.
No pequeno apartamento arrumamo-nos e deixamos a mulher cozinhar. Como a cultura aqui por perto é bastante muçulmana, achamos justo sermos servidos, e mais, obrigamos Clarice a cobrir a cabeça. Ela fez-nos um purê de batatas e a desculpa pra ele não ter sido um purê, mas um monte de pedaço duro de batata, é que 'só tem duas bocas de fogão, não consigo controlar tudo, a batata não cozinhou'... Tudo bem, estava muito bom. Fomos ao campus universitário, onde rolaria um festival de bandas. O lugar, a Maison des Étudiants, é meio maluco, uma espécie de Centro Acadêmico, como temos na USP, mais arrumadinho, e mais orgânico, sei lá. A cerveja era ecossustentável e alguém escreveu 'ouvrez votre soleil interieur' no muralzinho. A banda que vimos foi bem esquisita, de um jazz etíope, cheio de quebradeira com um cantor muçulmano malucão, com alcance vocal surpreendente. A vibe do lugar tava meio estranha, decidimos ir à cidade. Nesta, já havíamos conhecido Manolo, Marina, Marta, espanhóis, e Gustavo e Lara, brasileiros, todos amigos da Clarissa, intercambistas aqui em Lille.
Primeiro round: bar Salseiro. Banda de Ska maomenos, vários loucão. Manolo alertando-nos de como Lille pode ficar violenta quando regada a álcool, um amigo dele tinha levado uma cutillada em uma briga de bar, outro uns pontos na cabeça. Acalmem-se, não foi nada disso que aconteceu conosco - o destino reservara-nos algo menos violento e mais divertido. Um árabe começou a falar com o Brown sobre como a França é maravilhosa, falando coisas do tipo 'a maioria dos árabes e muçulmanos daqui é meio enfezada, fala que existe muito preconceito, mas tudo depende de como você se posiciona em relação a isso, eu superei...'. Esse bar esgotou-se e fomos embora quando uns bêbados começaram a encher muito as meninas. Um dos personagens da noite conhecemos neste bar - El Magico es su nombre. Fomos então ao segundo round, descrito a seguir.
Segundo round: fomos à rua Solferino, lugar dos bares mais pops de Lille. Entramos em um bonito, com cara de hamburgueria americana, e bebemos umas cervejas. Fizemos alguns amigos franceses, que estavam fazendo aula de espanhol e queriam gastá-lo conosco. Ficamos um bom tempo lá, até eu e Brown sermos expulsos. Não fizemos nada de mais, juro. É que a cerveja é meio cara e eu vi um pint dando sopa, só que atrás do balcão. Estava lá há muito tempo e não tinha dono. Entrei no balcão e peguei, com sucesso. Mas aí vem o exagero: da primeira vez funcionou, por que não funcionaria da segunda? Saímos para tomar um ar e quando voltamos, roubei a cerveja do segurança, um negão gordo com quem tínhamos conversado um pouco na entrada. A cerveja estava num balcão atrás dele, e ele estava brigandinho com uma galera na porta. Peguei a cerveja, saí andando e ele gritou pra mim. Fingi que não sabia o que estava acontecendo, claro. Ele veio e mostrou que sabia que eu estava com sua cerveja. Fui devolvê-la e ele foi pegá-la de mim ao mesmo tempo e o resultado é que a cerveja caiu toda nele. O verbo 'foder' conjugado na primeira pessoa do singular no pretérito simples me piscou em neon na cabeça. Mas, como o professor que fica triste de ter que tirar o aluno da sala, apenas apontou-nos a saída - Brown estava do meu lado. Chamamos o resto da galeris e fomos ao terceiro round.
Estamos meio atrasados pra pegar o trem pra Bruxelas, então divido em dois este post. Tem MUITA coisa pra acontecer, ainda, viu, amiguinhos?
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
La musique, c'est ma Bastille
A reflexão sobre a arte moderna e contemporânea fica pra outra vida, cansei de pedantismo. Pulo, portanto, a ida ao Pompidou, salvo um breve comentário: arte moderna e a arte contemporânea são blah.
O que ficou de segunda-feira foi o Gipsy Jazz, em um bar perto do Panthéon. Toda segunda-feira se apresenta neste bar um trio de Jazz - baixo acústico, violão e violão. O virtuosismo reina na apresentação e Zeus sabe o quanto eu detesto virtuosismo por virtuosismo. Mas não era isso. A energia e o gosto pela música dos três era evidente e contagiante. Temas bem trabalhados e até harmonias improvisadas mostraram que mais que notas por minuto, eles sabiam o que estavam fazendo. Melhor ainda, em instrumentos surrados e manchados de suor. O bar, desses parisienses, tinha o teto bem baixo e as paredes lotadas de garrafas e ornamentos inidentificáveis. A primeira sala era para os que queriam conversar, a segunda, 3 vezes maior, para os que queriam ouvir o trio. Dito e feito, quando começaram a tocar as luzes diminuíram e ouvia-se um 'shhh' toda vez que alguém começasse uma conversa. Um grupo de brasileiras não respeitou a lei da casa e saiu, todas elas enfezadinhas, quando o quarto ou quinto 'shhh' foi direcionado a elas.
Dos violões, um solo, outro base, gostei mais do base. Além de tocar melhor, era mais carismático (não o violão, o francês que o tocava) - no fim do show pegou um pandeiro e cantou um samba com a brasileira que havia dançado o show inteiro sem parar (aliás, le petit monde veio-nos com mais essa - eu e Brown conhecíamos a garota, cada um por um meio diferente).
Bom, embasbaquei-me com o trio e senti uma vontadezinha (já passou, mãe) de ficar por aqui e viver de música.
Terça-feira acordamos tarde e ficamos em casa na maior parte do dia. À noite o Brown teve ensaio com a fanfarra da faculdade e fomos à Val de Seine. Brown é o único estrangeiro da fanfarra, e eu ficar lá só me foi suportável porque a música estava boa. Não são grandes músicos, salvo um dos trompetistas, mas a orquestrinha de metais se dá bem em conjunto - apesar de ter gente lá que não consegue entrar no tempo e às vezes cada um tocar uma coisa, assemelhando-se muito à orquestrinha do Chaves. Brown é muito menos mal humorado em um ensaio com eles que em um ensaio da Quarto e Sala, engraçado... Não olhou feio pra ninguém do jeito que olha feio pra mim...
Saímos do ensaio, compramos umas cervejas e bebemos na praça da Bastilha (é verdade, derrubaram, mesmo, cheguei atrasado...). Conversamos sobre política/polícia e os prospectos sociais de 2012.
Ontem Brown foi com sua petit amie romena a uma exposição no Hôtel de Ville e eu fiquei em casa esperando notícias do Zé Café. Quando as recebi, fui à Decathlon encontrar Brown e comprar um casaco, depois fomos juntos à casa do Sergio, o espanhol chato pra cacete. A ideia era fazer um jantar internacional, cada Erasmus que levasse uma comida de seu país. Levamos pizza congelada e decidimos que não fugia tanto assim da realidade. Zé Café me ligou e fui encontrá-lo em um pub na Chatêlet. Zé ofereceu-me um quilo de resmungos por saudades do Brasil e, claro, aquele humor enfezado que não muito conheço e estranhamente tanto sinto falta. Paulinha estava lá também. Voltei a pé pra casa, sozinho, pois Brown havia ficado na casa do Sergio e dormiria na casa de sei lá quem.
Hoje embarcamos para Lille (embarca-se em um trem, também?!) e com certeza vou perder os dedos do pé.
O que ficou de segunda-feira foi o Gipsy Jazz, em um bar perto do Panthéon. Toda segunda-feira se apresenta neste bar um trio de Jazz - baixo acústico, violão e violão. O virtuosismo reina na apresentação e Zeus sabe o quanto eu detesto virtuosismo por virtuosismo. Mas não era isso. A energia e o gosto pela música dos três era evidente e contagiante. Temas bem trabalhados e até harmonias improvisadas mostraram que mais que notas por minuto, eles sabiam o que estavam fazendo. Melhor ainda, em instrumentos surrados e manchados de suor. O bar, desses parisienses, tinha o teto bem baixo e as paredes lotadas de garrafas e ornamentos inidentificáveis. A primeira sala era para os que queriam conversar, a segunda, 3 vezes maior, para os que queriam ouvir o trio. Dito e feito, quando começaram a tocar as luzes diminuíram e ouvia-se um 'shhh' toda vez que alguém começasse uma conversa. Um grupo de brasileiras não respeitou a lei da casa e saiu, todas elas enfezadinhas, quando o quarto ou quinto 'shhh' foi direcionado a elas.
Dos violões, um solo, outro base, gostei mais do base. Além de tocar melhor, era mais carismático (não o violão, o francês que o tocava) - no fim do show pegou um pandeiro e cantou um samba com a brasileira que havia dançado o show inteiro sem parar (aliás, le petit monde veio-nos com mais essa - eu e Brown conhecíamos a garota, cada um por um meio diferente).
Bom, embasbaquei-me com o trio e senti uma vontadezinha (já passou, mãe) de ficar por aqui e viver de música.
Terça-feira acordamos tarde e ficamos em casa na maior parte do dia. À noite o Brown teve ensaio com a fanfarra da faculdade e fomos à Val de Seine. Brown é o único estrangeiro da fanfarra, e eu ficar lá só me foi suportável porque a música estava boa. Não são grandes músicos, salvo um dos trompetistas, mas a orquestrinha de metais se dá bem em conjunto - apesar de ter gente lá que não consegue entrar no tempo e às vezes cada um tocar uma coisa, assemelhando-se muito à orquestrinha do Chaves. Brown é muito menos mal humorado em um ensaio com eles que em um ensaio da Quarto e Sala, engraçado... Não olhou feio pra ninguém do jeito que olha feio pra mim...
Saímos do ensaio, compramos umas cervejas e bebemos na praça da Bastilha (é verdade, derrubaram, mesmo, cheguei atrasado...). Conversamos sobre política/polícia e os prospectos sociais de 2012.
Ontem Brown foi com sua petit amie romena a uma exposição no Hôtel de Ville e eu fiquei em casa esperando notícias do Zé Café. Quando as recebi, fui à Decathlon encontrar Brown e comprar um casaco, depois fomos juntos à casa do Sergio, o espanhol chato pra cacete. A ideia era fazer um jantar internacional, cada Erasmus que levasse uma comida de seu país. Levamos pizza congelada e decidimos que não fugia tanto assim da realidade. Zé Café me ligou e fui encontrá-lo em um pub na Chatêlet. Zé ofereceu-me um quilo de resmungos por saudades do Brasil e, claro, aquele humor enfezado que não muito conheço e estranhamente tanto sinto falta. Paulinha estava lá também. Voltei a pé pra casa, sozinho, pois Brown havia ficado na casa do Sergio e dormiria na casa de sei lá quem.
Hoje embarcamos para Lille (embarca-se em um trem, também?!) e com certeza vou perder os dedos do pé.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Horloge sans orbite
Anteontem voltamos a Montmartre para um rendez-vous com os amigos em um bar chamado Rendez-vous des Amis. A cerveja era meio cara, 5.25 euros, assim eu e Brown tomamos só um pint cada um. O bairro é tão simpático à noite quanto à tarde, com a significativa diferença de que à noite a maioria dos turistas foge. Perdemo-nos um pouco antes de achar o bar - vale dizer que eu disse ao Brown 'é por ali' e ele disse 'não, não é' e no fim obviamente que era por lá, sim. Mas foi de bom proveito, demos uma andada pelas ruas do bairro e gostei de tê-lo feito.
Um dos intercambistas, o espanhol Sergio, adora falar em francês. Ele foi nos últimos três rolês e acabei ficando bastante em silêncio por causa disso. Sem Sergio todo mundo se comunicava perfeitamente em inglês, e com ele quem perde sou eu - fico em silêncio, e apesar de entender algumas coisas, muitas não entendo. Faz três dias que quando Sergio chega eu choro. Tudo bem, isso me impele a buscar mais a língua e pretendo dar uma estudada boa no francês quando tiver um tempo.
Mais tarde neste dia fomos à casa da Stefania, colega Mackenzista do Brown. Teria sido muito mais interessante não estivesse eu muito incomodado com meu próprio cheiro - tínhamos saído cedo de casa e andado bastante, e óbvio que eu esquecera de mandar um desoda na sovaca. Conversei bastante com uma menina que faz Psicologia na PUC - ela tem namorado, um amigo do Brown, estudante de Direito e também intercambista aqui em Paris, mas era muito bonita e quando a conversa acabou eu já estava há uns 3 metros dela, morrendo de medo do cheirinho chegar em seu nariz - sobre coisas que nem entendo direito - medicina antroposófica, Jung, etc. -, mas claro que evidenciei vasto conhecimento. Queria saber como que eu consigo falar tanto de coisas que sei tão pouco. Acho que esse é meu dom.
Consegui convencer o Brown a ir embora, a esta altura ele também já sentia meu futum e não me surpreenderia se até os franceses que lá estavam reclamassem do odor.
Ontem acordamos tarde e perdemos - deo gratias - o ano-novo chinês que ia rolar perto da casa da Stefania. Bundamos um pouco em casa e saímos, fomos até o parque La Villette. Tava frio paporra, não ficamos parados. Fomos andando de lá até a casa do Panos, onde teve uma sessão de filmes antigos de terror. O primeiro foi The Astounding She Monster, e eu dormi. O segundo foi King-Kong vs Godzilla, e eu dormi. O terceiro estava sendo Monster on the Campus, mas fomos embora na metade.
Depois digo do dia de hoje, pois exigirá de mim uma reflexão sobre a arte moderna e contemporânea - fomos ao Pompidou, não ao Louvre como achei que iríamos.
A verdade é que sinto que estou morando aqui. Não quero tanto fazer todos os trajetos turísticos, entrar em todos os museus, quanto quero aproveitar essa cidade, do jeito que aproveito São Paulo - preguiçando. Não que não vá aos pontos turísticos, claro que vou. Mas tenho muito tempo útil e não me faz mal nenhum ter tempo inútil, também. Acredito só em tempo ganho, nada disso de tempo perdido, e o tempo em Paris parece-me que vale o dobro ou o triplo...
Um dos intercambistas, o espanhol Sergio, adora falar em francês. Ele foi nos últimos três rolês e acabei ficando bastante em silêncio por causa disso. Sem Sergio todo mundo se comunicava perfeitamente em inglês, e com ele quem perde sou eu - fico em silêncio, e apesar de entender algumas coisas, muitas não entendo. Faz três dias que quando Sergio chega eu choro. Tudo bem, isso me impele a buscar mais a língua e pretendo dar uma estudada boa no francês quando tiver um tempo.
Mais tarde neste dia fomos à casa da Stefania, colega Mackenzista do Brown. Teria sido muito mais interessante não estivesse eu muito incomodado com meu próprio cheiro - tínhamos saído cedo de casa e andado bastante, e óbvio que eu esquecera de mandar um desoda na sovaca. Conversei bastante com uma menina que faz Psicologia na PUC - ela tem namorado, um amigo do Brown, estudante de Direito e também intercambista aqui em Paris, mas era muito bonita e quando a conversa acabou eu já estava há uns 3 metros dela, morrendo de medo do cheirinho chegar em seu nariz - sobre coisas que nem entendo direito - medicina antroposófica, Jung, etc. -, mas claro que evidenciei vasto conhecimento. Queria saber como que eu consigo falar tanto de coisas que sei tão pouco. Acho que esse é meu dom.
Consegui convencer o Brown a ir embora, a esta altura ele também já sentia meu futum e não me surpreenderia se até os franceses que lá estavam reclamassem do odor.
Ontem acordamos tarde e perdemos - deo gratias - o ano-novo chinês que ia rolar perto da casa da Stefania. Bundamos um pouco em casa e saímos, fomos até o parque La Villette. Tava frio paporra, não ficamos parados. Fomos andando de lá até a casa do Panos, onde teve uma sessão de filmes antigos de terror. O primeiro foi The Astounding She Monster, e eu dormi. O segundo foi King-Kong vs Godzilla, e eu dormi. O terceiro estava sendo Monster on the Campus, mas fomos embora na metade.
Depois digo do dia de hoje, pois exigirá de mim uma reflexão sobre a arte moderna e contemporânea - fomos ao Pompidou, não ao Louvre como achei que iríamos.
A verdade é que sinto que estou morando aqui. Não quero tanto fazer todos os trajetos turísticos, entrar em todos os museus, quanto quero aproveitar essa cidade, do jeito que aproveito São Paulo - preguiçando. Não que não vá aos pontos turísticos, claro que vou. Mas tenho muito tempo útil e não me faz mal nenhum ter tempo inútil, também. Acredito só em tempo ganho, nada disso de tempo perdido, e o tempo em Paris parece-me que vale o dobro ou o triplo...
sábado, 28 de janeiro de 2012
Sacre Coeur
O que mais afasta o ser humano dos outros animais não é polegar opositor, telencéfalo evoluído, linguagem, nada disso. Eis o que realmente nos afasta: somos os únicos bichos capazes de criar algo que transcende nossa compreensão. Ok, somos os únicos capazes de compreensão, mas isso não mata nem fere o que eu disse.
A Torre Eiffel é enorme. Não tanto em tamanho, não tanto em largura. A Torre Eiffel é enorme em mim. Não, não estou dizendo que virei destes que compra uma camiseta 'J'aime Paris' e sai desfilando por aí. Também não estou dizendo que fiz como a excursão de coreanos e não olhei a Torre, que apenas a fotografei. Digo que a Torre Eiffel é enorme em mim porque eu olhei pra ela e ela nem olhou pra mim, nem se mexeu, nem pisou em mim, como achei que faria. A Torre Eiffel é enorme em mim porque fui eu ou foi um irmão meu que a levantou, e fui eu ou foi um irmão meu que não deixou que a derrubassem. A Torre Eiffel é enorme em mim porque ela não cabe em mim e porque ela está em mim, descabida.
Desejei algo hoje que nunca desejei - que todos os seres humanos sumissem da face da terra e deixassem-me a sós com Paris. Um par de horas é o que peço. Conversei muito com o Brown sobre o turismo, a inutilidade do turismo, e todas as coisas toscas que o turismo atrai. Disse a uma amiga que estou, sim, e estarei por um bom tempo, apaixonado por Paris, mas meu amor é São Paulo. Talvez esse seja um dos motivos - em São Paulo ninguém está lá só pra tirar foto, só pra comprar souvenir, só pra entrar no monumento X. Em São Paulo se vive. Ainda que em Paris se viva, e seja um lugar muito melhor pra se viver que a metrópole brasileira, vive-se muito menos e fala-se da vida muito mais.
Desculpem-me pela divagação emocionada. A verdade é que nem mereço dizer isso dos turistas - a compreensão dessa cidade e de tudo que a contém foi transcendida e eu não posso achar que posso olhar com os olhos que olho a minha cidade. Talvez tenha até aprendido a olhar minha própria cidade com outros olhos ou com olho nenhum. Mas fiquei um tanto decepcionado quando entrei na magnífica Basilique de Sacre-Coeur e vi que há lojas dentro do templo.
Minha decepção é com o ser humano, que tem o poder lindo de criar coisas maiores que ele e acaba fazendo coisas tão menores...
A Torre Eiffel é enorme. Não tanto em tamanho, não tanto em largura. A Torre Eiffel é enorme em mim. Não, não estou dizendo que virei destes que compra uma camiseta 'J'aime Paris' e sai desfilando por aí. Também não estou dizendo que fiz como a excursão de coreanos e não olhei a Torre, que apenas a fotografei. Digo que a Torre Eiffel é enorme em mim porque eu olhei pra ela e ela nem olhou pra mim, nem se mexeu, nem pisou em mim, como achei que faria. A Torre Eiffel é enorme em mim porque fui eu ou foi um irmão meu que a levantou, e fui eu ou foi um irmão meu que não deixou que a derrubassem. A Torre Eiffel é enorme em mim porque ela não cabe em mim e porque ela está em mim, descabida.
Desejei algo hoje que nunca desejei - que todos os seres humanos sumissem da face da terra e deixassem-me a sós com Paris. Um par de horas é o que peço. Conversei muito com o Brown sobre o turismo, a inutilidade do turismo, e todas as coisas toscas que o turismo atrai. Disse a uma amiga que estou, sim, e estarei por um bom tempo, apaixonado por Paris, mas meu amor é São Paulo. Talvez esse seja um dos motivos - em São Paulo ninguém está lá só pra tirar foto, só pra comprar souvenir, só pra entrar no monumento X. Em São Paulo se vive. Ainda que em Paris se viva, e seja um lugar muito melhor pra se viver que a metrópole brasileira, vive-se muito menos e fala-se da vida muito mais.
Desculpem-me pela divagação emocionada. A verdade é que nem mereço dizer isso dos turistas - a compreensão dessa cidade e de tudo que a contém foi transcendida e eu não posso achar que posso olhar com os olhos que olho a minha cidade. Talvez tenha até aprendido a olhar minha própria cidade com outros olhos ou com olho nenhum. Mas fiquei um tanto decepcionado quando entrei na magnífica Basilique de Sacre-Coeur e vi que há lojas dentro do templo.
Minha decepção é com o ser humano, que tem o poder lindo de criar coisas maiores que ele e acaba fazendo coisas tão menores...
Les Femmes
Acordamos muito tarde, e ficamos em casa boa parte do dia. Sou assim, se passo frio à noite acordo disposto apenas a entocar-me. Tudo bem, energias precisavam ser recuperadas. O porquinho assou, comemo-lo com batatas e cebolas. Saímos por volta das 17h e fomos para as redondezas da Gare Montparnasse pra mó de eu comprar um chip francês pro meu celular. Brown disse que sabia onde estávamos indo e obviamente que estávamos já quase atravessando o Boulevard Périphérique quando demo-nos por vencidos e voltamos. Sem chip, pegamos o metrô e fomos até a estação Chatêlet. Mais tarde teria despedida da belga Anneleen no mesmo bar da outra noite. A rua, que é antiga, cheia de histórias, chama-se Mouffetard - aprendi ontem.
Descemos na Chatêlet porque íamos esquentar-nos na casa de Panos, um grego da faculdade do Allan. Panos é amigo de John, o dono da primeira festa, aquela do vexame. Não me senti muito bem recebido, e foi-me perguntado algo do tipo 'so, it was you the guy that was lying like dead on the staircase?' Não pensei em resposta melhor que 'yes, it was me'.
A verdade é que estou contando tudo isso pra encher linguiça - ontem foi um dia vazio, digno de uma terça-feira friorenta paulistana, onde minha maior aventura seria fazer algum download ilegal (pega eu, SOPA). Mas algo aconteceu ontem, sim, algo aconteceu que me encheu o coração. Paris é uma cidade que te apaixona a cada esquina, isso todo mundo diz e quem sou eu pra negar?! Contudo, entre as luzes, os prédios, os boulevards, há algo que muito mais pode acender le coeur daquele que é tão sensível à beleza feminina.
Les femmes parisiennes, nem todas nascidas ou vividas em Paris, mas todas com certeza parisiennes, emprestam da cidade as luzes, os cheiros, as cores e tudo o que nós homens podemos fazer frente a este espetáculo é entender o mundo. Compreendemos, quando nesta cidade, algo que sempre desconfiamos - não, James Brown, this isn't a man's world - o mundo é das mulheres. O mundo é delas e nós somos meros espectadores... Mero espectador, dedico-me a vê-las passar, e queria poder dedicar-me somente a isto pelo resto da vida...
Descemos na Chatêlet porque íamos esquentar-nos na casa de Panos, um grego da faculdade do Allan. Panos é amigo de John, o dono da primeira festa, aquela do vexame. Não me senti muito bem recebido, e foi-me perguntado algo do tipo 'so, it was you the guy that was lying like dead on the staircase?' Não pensei em resposta melhor que 'yes, it was me'.
A verdade é que estou contando tudo isso pra encher linguiça - ontem foi um dia vazio, digno de uma terça-feira friorenta paulistana, onde minha maior aventura seria fazer algum download ilegal (pega eu, SOPA). Mas algo aconteceu ontem, sim, algo aconteceu que me encheu o coração. Paris é uma cidade que te apaixona a cada esquina, isso todo mundo diz e quem sou eu pra negar?! Contudo, entre as luzes, os prédios, os boulevards, há algo que muito mais pode acender le coeur daquele que é tão sensível à beleza feminina.
Les femmes parisiennes, nem todas nascidas ou vividas em Paris, mas todas com certeza parisiennes, emprestam da cidade as luzes, os cheiros, as cores e tudo o que nós homens podemos fazer frente a este espetáculo é entender o mundo. Compreendemos, quando nesta cidade, algo que sempre desconfiamos - não, James Brown, this isn't a man's world - o mundo é das mulheres. O mundo é delas e nós somos meros espectadores... Mero espectador, dedico-me a vê-las passar, e queria poder dedicar-me somente a isto pelo resto da vida...
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Tartare
Ontem eu e Brownzinho acordamos às 13h, horário de Paris, e saímos para almoçar. Fiquei de pagar um almoço pro menino por culpa do que tinha feito na noite anterior. Saímos de rolê pelas ruas de Montparnasse, mas só tinha restaurante chique. Achamos um italiano que parecia ser menos leite com pera e sentamo-nos. Um garçom até que bem humorado trouxe-nos uma lasanha à bolonhesa e um tagliatelli com salmão no mínimo decepcionantes. Nada que não acharíamos na seção de congelados do Pão de Açúcar. Voltamos para casa e ficamos por aqui um tempo. No final da tarde pedi que fôssemos à Champs Elysées, pra eu dar uma olhada no Arc de Triomphe. Ofuscou-me a visão, não o Arco, mas os flashes dos coreanos que não olhavam à enorme construção senão pelas lentes de suas câmeras. Mas o Arco, sim, enorme, resplandecente, me atraiu e me cativou. Algum tipo de cerimônia militar estava acontecendo, e como já estava anoitecido e frio, decidimos voltar logo para casa, pois sairíamos com os amigos do Brown.
Andando pela Champs Elysées interessei-me muito pelos seres humanos. Ser humano é um bichinho que gosta de luz, de cor, de luz piscando cores diferentes. Aí é batata, faça uma avenida cheia de lojas com luzes e cores na fachada e seja rico. Vi com muito gosto a fila enorme que saía da Louis Vuitton.
Chegamos em Montparnasse e fomos ao mercado comprar algo para comer. Optamos por um porquinho e umas batatas, barato e gostoso. A batata é meio árida, o purê ficou meio seco. Mas delicioso, já que eu que cozinhei. Arrumamo-nos e fomos ao River Bar, que fica em um bairrinho cujo nome me foge, mas famoso por seus bares, a quantidade de estrangeiros e por ser lar da escadaria em que todo dia à meia-noite Owen Wilson pegava uma carona à década de 20. No River Bar estavam Ana e Elena, a espanhola e a romena que eu conhecera na noite passada. Muito simpáticas, as duas. Conversamos, os quatro, por umas duas horas, em inglês - é a língua que os Erasmus (é nome do grupo de intercambistas europeus, mas o termo foi ampliado para que outros intercambistas caibam) usam para se comunicar, ainda que o francês apareça vez em quando.
As meninas quiseram ir embora e fomos comer um crêpe de Nutella com elas. Demos au revoir e andamos mais um pouco pelo bairro. Muitas fromageries, pretendo voltar um dia para comprar um belo dum Brie. Somos lindos, vocês sabem, e fomos parados por duas moças. 'Bon soir!', uma delas disse, e veio conosco vomitando um francês incompreensível aos meus ouvidos. Allan entendeu, claro, e conversou um pouco com ela. Apresentamo-nos, ela apresentou a si e à sua amiga. Quem acha que esse é o começo de uma história de amor em Paris, tira o pônei da chuva - eu e Brown somos exigentes (sem contar que ele tá de rolo com uma romena) e as meninas eram um tanto feias. Decidimos ir a pé pra casa, e passamos pela Sorbonne e pelos fundos do Panthéon.
Chegamos em casa e ficamos conversando por algumas horas com o roommate do Brown, um paranaense de nome Alexandre. Faço um capítulo exclusivo a ele quando tiver material. Estou esperando o resto do porquinho assar, depois vamos dar um rolê de bicicleta.
Tartare é a porção do Mundo Inferior grego que se opõe aos Campos Elíseos. A este vão os mortos célebres, espécie de paraíso. Àquele, as almas podres. Não, não quero entrar numas de criticar as 'almas podres' que querem a todo custo comprar uma bolsa na Louis Vuitton. Coloco os polos na mesa pra que possamos chegar na média aritmética - pois é na média aritmética que todos nós vivemos.
Andando pela Champs Elysées interessei-me muito pelos seres humanos. Ser humano é um bichinho que gosta de luz, de cor, de luz piscando cores diferentes. Aí é batata, faça uma avenida cheia de lojas com luzes e cores na fachada e seja rico. Vi com muito gosto a fila enorme que saía da Louis Vuitton.
Chegamos em Montparnasse e fomos ao mercado comprar algo para comer. Optamos por um porquinho e umas batatas, barato e gostoso. A batata é meio árida, o purê ficou meio seco. Mas delicioso, já que eu que cozinhei. Arrumamo-nos e fomos ao River Bar, que fica em um bairrinho cujo nome me foge, mas famoso por seus bares, a quantidade de estrangeiros e por ser lar da escadaria em que todo dia à meia-noite Owen Wilson pegava uma carona à década de 20. No River Bar estavam Ana e Elena, a espanhola e a romena que eu conhecera na noite passada. Muito simpáticas, as duas. Conversamos, os quatro, por umas duas horas, em inglês - é a língua que os Erasmus (é nome do grupo de intercambistas europeus, mas o termo foi ampliado para que outros intercambistas caibam) usam para se comunicar, ainda que o francês apareça vez em quando.
As meninas quiseram ir embora e fomos comer um crêpe de Nutella com elas. Demos au revoir e andamos mais um pouco pelo bairro. Muitas fromageries, pretendo voltar um dia para comprar um belo dum Brie. Somos lindos, vocês sabem, e fomos parados por duas moças. 'Bon soir!', uma delas disse, e veio conosco vomitando um francês incompreensível aos meus ouvidos. Allan entendeu, claro, e conversou um pouco com ela. Apresentamo-nos, ela apresentou a si e à sua amiga. Quem acha que esse é o começo de uma história de amor em Paris, tira o pônei da chuva - eu e Brown somos exigentes (sem contar que ele tá de rolo com uma romena) e as meninas eram um tanto feias. Decidimos ir a pé pra casa, e passamos pela Sorbonne e pelos fundos do Panthéon.
Chegamos em casa e ficamos conversando por algumas horas com o roommate do Brown, um paranaense de nome Alexandre. Faço um capítulo exclusivo a ele quando tiver material. Estou esperando o resto do porquinho assar, depois vamos dar um rolê de bicicleta.
Tartare é a porção do Mundo Inferior grego que se opõe aos Campos Elíseos. A este vão os mortos célebres, espécie de paraíso. Àquele, as almas podres. Não, não quero entrar numas de criticar as 'almas podres' que querem a todo custo comprar uma bolsa na Louis Vuitton. Coloco os polos na mesa pra que possamos chegar na média aritmética - pois é na média aritmética que todos nós vivemos.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Doucement
Tomei dois copos de vinho na ida a Frankfurt e o resultado foi dos melhores - dormi a viagem inteira. A felicidade plena me veio quando, esperando o voo a Paris no aeroporto da cidade alemã, vi uma garrafa de Weihenstephaner de um litro a 1 euro e 50. Quis ficar na Alemanha, mas a Lufthansa me arrastou pro avião. De lá pra cá o voo foi curto e sentei-me ao lado de 5 jovens coreanos que muito me divertiram. Eu estava na janela e o moleque do meu lado dormiu de bocão aberto. Os outros começaram a tirar fotos e eu sugeri (em coreano, claro) que eles tirassem outra, de mim dando um beijinho no dorminhoco. Assim fizemos, e quando o menino que segurava a câmera mostrou a foto pros outros, não é que o cara acorda e vê a foto? Deu uma olhadinha envergonhada pra mim e se afastou um pouco.
Cheguei em Paris, muito feliz por ter tomado uma cerveja alemã e um suco de tomate no voo, e dediquei-me a compreender o caminho que faria para chegar em Montparnasse. Não foi muito difícil o caminho, ao menos não tanto quanto carregar a mala em um metrô lotado. Saí às ruas na estação Edgar Quinet e a impressão ruim que tinha tido no trem enquanto passava pela periferia de Paris apagou-se em estalo. Bairrinho lindo esse Montparnasse. 'Pegue a rua da direita na Optica 2000', disse o Brown, e obviamente que era a rua da esquerda. Tudo bem, o erro foi breve e logo cheguei ao número 63 da Rue du Montparnasse. Entrei no pequeno apartamento, dei um abraço gostoso em meu até então saudoso amigo e me desfiz do peso da mala.
Descobri por que franceses têm fama de desbanhados. Não sabem fazer chuveiro. Tive de tomar banho sentado com um chuveirinho de mão, e foi horrível. Não achei a posição certa, ao levantar-me me arranhei duas vezes na moldura do espelho, impossível lavar os cabelos.
Fomos à casa do grego da faculdade do Allan, próxima à Cathédrale Notre Dame. Fomos a pé e no caminho deparamo-nos com o Panthéon - embasbaquei-me com seu tamanho - e com a já mencionada catedral, que olharia - e talvez olhe, mesmo - por um dia inteiro. Levamos dois vinhos, cada um a 2,50 euros, e fomos tomando uma cerveja no caminho. Como eventos chance-zero têm me ocorrido bastante, esbarrei com alguns brasileiros no meio do caminho. Não quaisquer brasileiros, estudantes da USP. Uma dos três brasileiros era a Gabi, estudante da FEA que fez uma matéria na Psico neste semestre. Há algo de mais único nesse encontro, que acho que vale a pena mencionar. Além de estudante da USP, Gabi é granjeira. Eu já bolara a teoria de que Granja Viana está no Brasil inteiro (difícil fazer uma viagem no Brasil em que não se encontre alguém que mora ou morou lá), tenho de estendê-la - Granja Viana domina é o mundo.
Não nos delonguemos. Chegamos à festinha em um apartamento minúsculo em estado de lotação. Gente da faculdade do Allan, gente de todo o mundo. Conversei sobre a floresta Amazônica com um americano, sobre capoeira com um grego, não lembro o que mais. Literalmente, não lembro. Acontece que eu, no meu costume de beber cerveja, não considerei que estava bebendo vinho. 5 copos depois, mais dois de cerveja, mais uma dose de tequila, acordei às 5 da manhã na escada do prédio com Brown me chutando. Ele tinha voltado pra casa achando que o grego me daria abrigo, mas quando chegou aqui recebeu um telefonema do dono da festa, pedindo para que fosse me buscar. Voltamos de ônibus, sem pagar (malandragem dá um tempo), e lembro-me de reclamar horrores de uma privada que estava no meio da calçada. Capotamos e acordamos às 13h.
A expressão 'pega leve' é usada em francês como 'doucement'. Comecei bem a viagem, mas tenho de ir mais doucement, se não o Brown me põe pra fora da casa dele.
Vai ser difícil postar diariamente, o que acontecer de mais interessante eu digo, prometo.
Cheguei em Paris, muito feliz por ter tomado uma cerveja alemã e um suco de tomate no voo, e dediquei-me a compreender o caminho que faria para chegar em Montparnasse. Não foi muito difícil o caminho, ao menos não tanto quanto carregar a mala em um metrô lotado. Saí às ruas na estação Edgar Quinet e a impressão ruim que tinha tido no trem enquanto passava pela periferia de Paris apagou-se em estalo. Bairrinho lindo esse Montparnasse. 'Pegue a rua da direita na Optica 2000', disse o Brown, e obviamente que era a rua da esquerda. Tudo bem, o erro foi breve e logo cheguei ao número 63 da Rue du Montparnasse. Entrei no pequeno apartamento, dei um abraço gostoso em meu até então saudoso amigo e me desfiz do peso da mala.
Descobri por que franceses têm fama de desbanhados. Não sabem fazer chuveiro. Tive de tomar banho sentado com um chuveirinho de mão, e foi horrível. Não achei a posição certa, ao levantar-me me arranhei duas vezes na moldura do espelho, impossível lavar os cabelos.
Fomos à casa do grego da faculdade do Allan, próxima à Cathédrale Notre Dame. Fomos a pé e no caminho deparamo-nos com o Panthéon - embasbaquei-me com seu tamanho - e com a já mencionada catedral, que olharia - e talvez olhe, mesmo - por um dia inteiro. Levamos dois vinhos, cada um a 2,50 euros, e fomos tomando uma cerveja no caminho. Como eventos chance-zero têm me ocorrido bastante, esbarrei com alguns brasileiros no meio do caminho. Não quaisquer brasileiros, estudantes da USP. Uma dos três brasileiros era a Gabi, estudante da FEA que fez uma matéria na Psico neste semestre. Há algo de mais único nesse encontro, que acho que vale a pena mencionar. Além de estudante da USP, Gabi é granjeira. Eu já bolara a teoria de que Granja Viana está no Brasil inteiro (difícil fazer uma viagem no Brasil em que não se encontre alguém que mora ou morou lá), tenho de estendê-la - Granja Viana domina é o mundo.
Não nos delonguemos. Chegamos à festinha em um apartamento minúsculo em estado de lotação. Gente da faculdade do Allan, gente de todo o mundo. Conversei sobre a floresta Amazônica com um americano, sobre capoeira com um grego, não lembro o que mais. Literalmente, não lembro. Acontece que eu, no meu costume de beber cerveja, não considerei que estava bebendo vinho. 5 copos depois, mais dois de cerveja, mais uma dose de tequila, acordei às 5 da manhã na escada do prédio com Brown me chutando. Ele tinha voltado pra casa achando que o grego me daria abrigo, mas quando chegou aqui recebeu um telefonema do dono da festa, pedindo para que fosse me buscar. Voltamos de ônibus, sem pagar (malandragem dá um tempo), e lembro-me de reclamar horrores de uma privada que estava no meio da calçada. Capotamos e acordamos às 13h.
A expressão 'pega leve' é usada em francês como 'doucement'. Comecei bem a viagem, mas tenho de ir mais doucement, se não o Brown me põe pra fora da casa dele.
Vai ser difícil postar diariamente, o que acontecer de mais interessante eu digo, prometo.
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