sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Lapin Assault - capitulo 2,0

Ao sair do segundo bar, estávamos bêbados. Lara estava tropeçando, soluçando, a coisa tava braba. Eu e Brown éramos os únicos do grupo que não estavam muito preocupados em ajudá-la - não porque não temos coração, ou nada do tipo, mas porque estávamos nos divertindo à beça falando mal dos outros e etc. Fomos andando pela rua, cheia de bares e gente em idade universitária. Nos sentíamos muito bem com a hospitalidade do pessoal em Lille - em Paris, impossível começar uma conversa com um desconhecido e esperar receptividade - e nos divertíamos com os estranhos, talvez do mesmo jeito que é possível fazer nas ruas de São Paulo.

Lara estava muito mal, já tinha caído algumas vezes, e entramos, portanto, em outro bar. O bar era menor e mais escuro que o anterior, com muito menos gente. Na entrada, um balcão e algumas mesas, e mais aos fundos, um sofá com uma mesinha na frente. Neste sofá estavam dois garotos, de uns 18 ou 19 anos. Não esperei meus escrúpulos chegarem e sentei-me ao lado deles. Parecia uma espécie de salinha reservada, e eles me olharam de um jeito um pouco ameaçador. Na mesa, várias bebidas - garrafas de destilados pela metade, batidas em jarras, copos sujos e latinhas de cerveja sugeriram que a festa tinha acabado e só sobraram aqueles dois por lá. Não falavam inglês, então comecei a falar em francês com eles, juro, e ainda me é mistério o fato de termos conseguido conversar. Mal, mas houve compreensão. Consegui arrancar deles um copo de whisky. Eu queria muito dizer pra um deles que ele parecia o Owen Wilson, mas não consegui. Chamei o Brown, então, para sentar-se conosco e traduzir a conversa. O resto do pessoal estava dançando e bebendo mais.

Divertimo-nos um pouco com os dois franceses e Brown roubou as luvas de um deles (censurei-o por isso no outro dia, mas não sem aproveitar pra usar as luvas, bem quentinhas, por muitos dias). Estávamos naquele estado da bebedeira livre de superego, e os arrependimentos (digo isso só porque minha mãe está lendo) apareceram no dia seguinte pelas coisas que fizemos então, tão somente por culpa da bebida.

El Magico, que deixamos no primeiro bar de nossa noite, estava de volta. Apareceu como que por mágica, coincidência ou não, e fez uma mágica de baralho comigo. Boa, a mágica. Ele era meio latino ou espanhol, sei lá. Teria jeito de Don Juan não fosse as roupas excessivamente underground. Dançou horrores, coreografias do Michael Jackson e tals, e forneceu-nos divertimentos mil. Deu 3 horas, porém, e os donos do bar estavam pedindo para que fôssemos embora. Lara estava mal, ainda, e eles deixaram ficarmos mais um pouco. Mas El Magico estava sendo expulso, mesmo com seu copo de cerveja pela metade. Sentou-se no balcão e falou que não sairia enquanto não terminasse a cerveja. Um homenzarrão e um mulherão gritavam com ele, e obrigavam-no a beber mais rápido. Ele dava uns golinhozinhos de nada. Eu falei pra ele, em espanhol, que bebesse logo a cerveja para que fôssemos embora. O homenzarrão gritou comigo, então, mandando-me calar a boca ou eu é que seria expulso. Tentei falar em francês que estava só tentando fazer El Magico beber logo, sem sucesso. Recebi outro cala boca e uma olhada nervosa. Repetiu-se a cena, meu amigo levou de novo patadas e patadas. Disse para ele de novo para que terminasse logo a cerveja e acabei sendo expulso. Duas garçonetes e um fortinho me empurraram pra fora do bar e ninguém viu. Uns 5 minutos de frio depois, Brown e Clarissa aparecem do lado de fora e me perguntam 'outra vez?'. Desta vez tinha sido por bom-mocismo, pelo menos.

Tá ficando longo demais, divido este 2º capitulo em dois, assim teremos, ainda, dois capitulos como o prometido. Um capitulo mais dois meios capitulos. Brownzinho tem apresentação da Fanfarra e vou encontrá-lo se eu encontrar aqui no Google Maps o lugar onde devo encontrá-lo.

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