quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

La musique, c'est ma Bastille

A reflexão sobre a arte moderna e contemporânea fica pra outra vida, cansei de pedantismo. Pulo, portanto, a ida ao Pompidou, salvo um breve comentário: arte moderna e a arte contemporânea são blah.

O que ficou de segunda-feira foi o Gipsy Jazz, em um bar perto do Panthéon. Toda segunda-feira se apresenta neste bar um trio de Jazz - baixo acústico, violão e violão. O virtuosismo reina na apresentação e Zeus sabe o quanto eu detesto virtuosismo por virtuosismo. Mas não era isso. A energia e o gosto pela música dos três era evidente e contagiante. Temas bem trabalhados e até harmonias improvisadas mostraram que mais que notas por minuto, eles sabiam o que estavam fazendo. Melhor ainda, em instrumentos surrados e manchados de suor. O bar, desses parisienses, tinha o teto bem baixo e as paredes lotadas de garrafas e ornamentos inidentificáveis. A primeira sala era para os que queriam conversar, a segunda, 3 vezes maior, para os que queriam ouvir o trio. Dito e feito, quando começaram a tocar as luzes diminuíram e ouvia-se um 'shhh' toda vez que alguém começasse uma conversa. Um grupo de brasileiras não respeitou a lei da casa e saiu, todas elas enfezadinhas, quando o quarto ou quinto 'shhh' foi direcionado a elas.

Dos violões, um solo, outro base, gostei mais do base. Além de tocar melhor, era mais carismático (não o violão, o francês que o tocava) - no fim do show pegou um pandeiro e cantou um samba com a brasileira que havia dançado o show inteiro sem parar (aliás, le petit monde veio-nos com mais essa - eu e Brown conhecíamos a garota, cada um por um meio diferente).

Bom, embasbaquei-me com o trio e senti uma vontadezinha (já passou, mãe) de ficar por aqui e viver de música.

Terça-feira acordamos tarde e ficamos em casa na maior parte do dia. À noite o Brown teve ensaio com a fanfarra da faculdade e fomos à Val de Seine. Brown é o único estrangeiro da fanfarra, e eu ficar lá só me foi suportável porque a música estava boa. Não são grandes músicos, salvo um dos trompetistas, mas a orquestrinha de metais se dá bem em conjunto - apesar de ter gente lá que não consegue entrar no tempo e às vezes cada um tocar uma coisa, assemelhando-se muito à orquestrinha do Chaves. Brown é muito menos mal humorado em um ensaio com eles que em um ensaio da Quarto e Sala, engraçado... Não olhou feio pra ninguém do jeito que olha feio pra mim...

Saímos do ensaio, compramos umas cervejas e bebemos na praça da Bastilha (é verdade, derrubaram, mesmo, cheguei atrasado...). Conversamos sobre política/polícia e os prospectos sociais de 2012.

Ontem Brown foi com sua petit amie romena a uma exposição no Hôtel de Ville e eu fiquei em casa esperando notícias do Zé Café. Quando as recebi, fui à Decathlon encontrar Brown e comprar um casaco, depois fomos juntos à casa do Sergio, o espanhol chato pra cacete. A ideia era fazer um jantar internacional, cada Erasmus que levasse uma comida de seu país. Levamos pizza congelada e decidimos que não fugia tanto assim da realidade. Zé Café me ligou e fui encontrá-lo em um pub na Chatêlet. Zé ofereceu-me um quilo de resmungos por saudades do Brasil e, claro, aquele humor enfezado que não muito conheço e estranhamente tanto sinto falta. Paulinha estava lá também. Voltei a pé pra casa, sozinho, pois Brown havia ficado na casa do Sergio e dormiria na casa de sei lá quem.

Hoje embarcamos para Lille (embarca-se em um trem, também?!) e com certeza vou perder os dedos do pé.

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