Não há mais muito o que falar deste dia. Posso dizer que me diverti muito mais que posso dar a entender com narrações, por dois motivos: 1) O álcool apagou parte de minha memória; 2) O tempo também o fez - não me lembro mais de detalhes que poderiam ser significativos. Tento contar levianamente, portanto, o que se passou daí em diante.
Lara precisava ir embora, em verdade precisava ter ido embora havia muito. Gustavo, que mora com ela, levou-a para casa. Íamos entrando no ônibus, eu e Brown, e foi por pouco que conseguimos sair. Não era aquele ônibus que pegaríamos para ir pra casa e não iríamos pra casa, ainda. Marta chamou-nos para ir a uma balada. Balada. Eu. Vamos, né?! Era de graça pra entrar, como a maioria das coisas que vimos aqui nas Europa. O som era aquele de sempre, aquele que sinto que ouço desde que cheguei no Velho Mundo - puts puts e Michel Teló. Fiz alguns amigos, ainda mais no banheiro. 'Je parle pas français, je suis brésilien' já bastava para ganhar um abraço (as calças já cobrindo as partes íntimas, aos engraçadolhos) e um sorriso. 'Ronaldinho'!
Conversei com variados personagens, em variados idiomas (em maioria idiomas que não falo um A), dancei, daquele jeito que só eu sei, em cima dum palquinho, etc. O mais que aconteceu nesta noite não vale para contar minhas experiências na Europa pois foram todas coisas que eu faria tranquilamente no Brasil. Voltamos, eu, Clarita e Brown, quando o metrô já estava aberto de novo e o dia começava a despontar no horizonte.
Lapanassô é sinônimo de aventura.
Incluo aqui nosso segundo dia em Lille, pois é breve, para que possa dar início ao próximo post.
Dormi no chão, a Clerissa não me deu alternativa, e a janela entreaberta permitiu-me um ventinho muito gostoso na cara. Acordei, portanto, com dor de garganta. A ressaca tava braba pros meus dois amigos, não pra mim, que já sou calejado, e a fome era enorme para nós três. Fomos para o centro e mandamos um kebab violento. Tive dificuldades para terminá-lo, pra vocês verem como o bicho era grande. Andamos bastante por Lille, que se mostrou muito mais simpática durante o dia. Se da noite anterior tinha ficado a impressão de que Lille era boêmia em excesso, quase suja (apesar de acolhedora, mas isso por culpa de seus habitantes), com nossas andadas vimos que a cidadezinha é adorável, em muitos aspectos. Senti-me finalmente na Europa (agora muito mais que no dia anterior). Se quiserem ver fotos da cidade, vão ao Facebook do Allan Martino ou da Clarissa Ximenes, não tenho qualidades descritivas suficientes para dar um retrato verossímil da cidade.
Estávamos na Catedral de Notre-Dame de Lille quando começamos a sentir cheiro de prédio em chamas. Fomos à rua e vimos a quantidade de fumaça. Vimos também cinzas que vez ou outra desciam suavemente do céu. A fumaça era insuportável pro meu sistema respiratório e por isso decidimos ir para mais perto do foco, onde havia menos fumaça. Os pompiers de Lille trabalhavam arduamente para não deixar as pessoas verem o que estava acontecendo. Não precisaram de muito esforço, porém, pois algo foi enviado dos céus para desviar nossa atenção (ser humano adora olhar pro fogo, mas adora mais outra coisa) - 'Nossa, tá chovendo cinza! Ah, não, não é cinza! É neve! Tá nevando!'
Iupiiii! Pouco tempo depois começou a nevasca. Durante uma hora e meia caiu gelo do céu e os três brasileiros se divertiram como não tinham se divertido nesta viagem. Clarinha levou um tombo, claro. Brown levou altos pipocos de bola de neve - e não acertou nenhum em mim. Foi super. A neve parou de cair e horas depois a gente cansou, então decidimos ir pra casa. Entre o metrô e a casa da Clá era uma caminhada, e eu e Brown fizemos uma competiçãozinha de bola de neve. Eu ganhei, claro, tanto em consistência, quanto em peso, quanto em tamanho. Tomamos um banho, checamos o face, demos uma dormidinha curta e voltamos ao centro. A noite caiu sobre a neve e o espetáculo estava feito.
Depois de uma pernada no centro e um McDô, fomos à casa de uma italiana, amiga do Diego, outro brasileiro residente de Lille. Tinha umas 15 pessoas, cada uma mais diferente da outra. Todavia não posso dizer que foi muito divertido pois não nos enturmamos muito. Um bobão de cabelo comprido tava me irritando e Brown também não estava muito pra conversar. Voltamos a pé, praticando nosso novo esporte favorito, o Deslizamento em Asfalto com Gelo, do qual eu sou campeão e Brown é vice, claro.
Lille acabou, e embarcamos para Bruxelas no outro dia ao meio-dia. Lá o lapanassô que é uma beleza, fique atento!
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