Tomei dois copos de vinho na ida a Frankfurt e o resultado foi dos melhores - dormi a viagem inteira. A felicidade plena me veio quando, esperando o voo a Paris no aeroporto da cidade alemã, vi uma garrafa de Weihenstephaner de um litro a 1 euro e 50. Quis ficar na Alemanha, mas a Lufthansa me arrastou pro avião. De lá pra cá o voo foi curto e sentei-me ao lado de 5 jovens coreanos que muito me divertiram. Eu estava na janela e o moleque do meu lado dormiu de bocão aberto. Os outros começaram a tirar fotos e eu sugeri (em coreano, claro) que eles tirassem outra, de mim dando um beijinho no dorminhoco. Assim fizemos, e quando o menino que segurava a câmera mostrou a foto pros outros, não é que o cara acorda e vê a foto? Deu uma olhadinha envergonhada pra mim e se afastou um pouco.
Cheguei em Paris, muito feliz por ter tomado uma cerveja alemã e um suco de tomate no voo, e dediquei-me a compreender o caminho que faria para chegar em Montparnasse. Não foi muito difícil o caminho, ao menos não tanto quanto carregar a mala em um metrô lotado. Saí às ruas na estação Edgar Quinet e a impressão ruim que tinha tido no trem enquanto passava pela periferia de Paris apagou-se em estalo. Bairrinho lindo esse Montparnasse. 'Pegue a rua da direita na Optica 2000', disse o Brown, e obviamente que era a rua da esquerda. Tudo bem, o erro foi breve e logo cheguei ao número 63 da Rue du Montparnasse. Entrei no pequeno apartamento, dei um abraço gostoso em meu até então saudoso amigo e me desfiz do peso da mala.
Descobri por que franceses têm fama de desbanhados. Não sabem fazer chuveiro. Tive de tomar banho sentado com um chuveirinho de mão, e foi horrível. Não achei a posição certa, ao levantar-me me arranhei duas vezes na moldura do espelho, impossível lavar os cabelos.
Fomos à casa do grego da faculdade do Allan, próxima à Cathédrale Notre Dame. Fomos a pé e no caminho deparamo-nos com o Panthéon - embasbaquei-me com seu tamanho - e com a já mencionada catedral, que olharia - e talvez olhe, mesmo - por um dia inteiro. Levamos dois vinhos, cada um a 2,50 euros, e fomos tomando uma cerveja no caminho. Como eventos chance-zero têm me ocorrido bastante, esbarrei com alguns brasileiros no meio do caminho. Não quaisquer brasileiros, estudantes da USP. Uma dos três brasileiros era a Gabi, estudante da FEA que fez uma matéria na Psico neste semestre. Há algo de mais único nesse encontro, que acho que vale a pena mencionar. Além de estudante da USP, Gabi é granjeira. Eu já bolara a teoria de que Granja Viana está no Brasil inteiro (difícil fazer uma viagem no Brasil em que não se encontre alguém que mora ou morou lá), tenho de estendê-la - Granja Viana domina é o mundo.
Não nos delonguemos. Chegamos à festinha em um apartamento minúsculo em estado de lotação. Gente da faculdade do Allan, gente de todo o mundo. Conversei sobre a floresta Amazônica com um americano, sobre capoeira com um grego, não lembro o que mais. Literalmente, não lembro. Acontece que eu, no meu costume de beber cerveja, não considerei que estava bebendo vinho. 5 copos depois, mais dois de cerveja, mais uma dose de tequila, acordei às 5 da manhã na escada do prédio com Brown me chutando. Ele tinha voltado pra casa achando que o grego me daria abrigo, mas quando chegou aqui recebeu um telefonema do dono da festa, pedindo para que fosse me buscar. Voltamos de ônibus, sem pagar (malandragem dá um tempo), e lembro-me de reclamar horrores de uma privada que estava no meio da calçada. Capotamos e acordamos às 13h.
A expressão 'pega leve' é usada em francês como 'doucement'. Comecei bem a viagem, mas tenho de ir mais doucement, se não o Brown me põe pra fora da casa dele.
Vai ser difícil postar diariamente, o que acontecer de mais interessante eu digo, prometo.
floresta amazonica e capoeira realmente é o seu forte...doucement, aproveite ai.. e entre gregos e coreanos, cuidado pra não acordar em alguma escada, caído de costas com as calças arriadas(isso acontece)...
ResponderExcluir=) o avião de ida QUASE foi, o de volta então CAI!
um beijo da tua irmã
A ideia é uma viagem CULTURAL. Tudo bem, uma dose do bom vinho francês também é cultura. Mas, mesmo na França, deve prevalecer a máxima aristotélica: temperança, cumpadre, temperança. Além do mais, lembre-se que na volta da França encontrarás inevitavelmente com tua maravilhosa progenitora que tem memória de elefante para deslizes exagerados. Fora isso, divirta-se (he he).
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