Anteontem voltamos a Montmartre para um rendez-vous com os amigos em um bar chamado Rendez-vous des Amis. A cerveja era meio cara, 5.25 euros, assim eu e Brown tomamos só um pint cada um. O bairro é tão simpático à noite quanto à tarde, com a significativa diferença de que à noite a maioria dos turistas foge. Perdemo-nos um pouco antes de achar o bar - vale dizer que eu disse ao Brown 'é por ali' e ele disse 'não, não é' e no fim obviamente que era por lá, sim. Mas foi de bom proveito, demos uma andada pelas ruas do bairro e gostei de tê-lo feito.
Um dos intercambistas, o espanhol Sergio, adora falar em francês. Ele foi nos últimos três rolês e acabei ficando bastante em silêncio por causa disso. Sem Sergio todo mundo se comunicava perfeitamente em inglês, e com ele quem perde sou eu - fico em silêncio, e apesar de entender algumas coisas, muitas não entendo. Faz três dias que quando Sergio chega eu choro. Tudo bem, isso me impele a buscar mais a língua e pretendo dar uma estudada boa no francês quando tiver um tempo.
Mais tarde neste dia fomos à casa da Stefania, colega Mackenzista do Brown. Teria sido muito mais interessante não estivesse eu muito incomodado com meu próprio cheiro - tínhamos saído cedo de casa e andado bastante, e óbvio que eu esquecera de mandar um desoda na sovaca. Conversei bastante com uma menina que faz Psicologia na PUC - ela tem namorado, um amigo do Brown, estudante de Direito e também intercambista aqui em Paris, mas era muito bonita e quando a conversa acabou eu já estava há uns 3 metros dela, morrendo de medo do cheirinho chegar em seu nariz - sobre coisas que nem entendo direito - medicina antroposófica, Jung, etc. -, mas claro que evidenciei vasto conhecimento. Queria saber como que eu consigo falar tanto de coisas que sei tão pouco. Acho que esse é meu dom.
Consegui convencer o Brown a ir embora, a esta altura ele também já sentia meu futum e não me surpreenderia se até os franceses que lá estavam reclamassem do odor.
Ontem acordamos tarde e perdemos - deo gratias - o ano-novo chinês que ia rolar perto da casa da Stefania. Bundamos um pouco em casa e saímos, fomos até o parque La Villette. Tava frio paporra, não ficamos parados. Fomos andando de lá até a casa do Panos, onde teve uma sessão de filmes antigos de terror. O primeiro foi The Astounding She Monster, e eu dormi. O segundo foi King-Kong vs Godzilla, e eu dormi. O terceiro estava sendo Monster on the Campus, mas fomos embora na metade.
Depois digo do dia de hoje, pois exigirá de mim uma reflexão sobre a arte moderna e contemporânea - fomos ao Pompidou, não ao Louvre como achei que iríamos.
A verdade é que sinto que estou morando aqui. Não quero tanto fazer todos os trajetos turísticos, entrar em todos os museus, quanto quero aproveitar essa cidade, do jeito que aproveito São Paulo - preguiçando. Não que não vá aos pontos turísticos, claro que vou. Mas tenho muito tempo útil e não me faz mal nenhum ter tempo inútil, também. Acredito só em tempo ganho, nada disso de tempo perdido, e o tempo em Paris parece-me que vale o dobro ou o triplo...
O Má ensinou-me algo importante em viagens. Se vc não conhece, vá aos pontos turísticos também. Não é a toa que eles são turísticos. Agora, se tem tempo, intercala.
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