Prepare-se, mãe, pois não gostarás nem um pouco do post a seguir. Sugiro que, se a curiosidade permitir, pare de ler.
Chegamos em Lille. O trem é super rápido, o trem é bala, e chegamos rapidinho - deu nem pra abrir o livro. Clarisse encontrou-nos na estação, não sem se atrasar meia hora. Pegamos o metrô - são apenas duas linhas na cidade, que é pequetita - até a estação Fives e viemos andando até o conjunto Robespierre de moradias estudantis. Não sem antes passar no mercado e comprar nossa alimentação noturna. O bairro é meio perifa e cheio de muçulmanos, tem até uma mesquita na frente do prédio de habitação. Mas é bem bonitinho, cas casinha tudo igualzinha e tchutchutchu. Uma coisa que Brown mais tarde veio a falar da cidade serve-me para descrever minhas sensações, também - em Lille sentimo-nos na França, finalmente. Paris é muito maior que a França, muito maior.
No pequeno apartamento arrumamo-nos e deixamos a mulher cozinhar. Como a cultura aqui por perto é bastante muçulmana, achamos justo sermos servidos, e mais, obrigamos Clarice a cobrir a cabeça. Ela fez-nos um purê de batatas e a desculpa pra ele não ter sido um purê, mas um monte de pedaço duro de batata, é que 'só tem duas bocas de fogão, não consigo controlar tudo, a batata não cozinhou'... Tudo bem, estava muito bom. Fomos ao campus universitário, onde rolaria um festival de bandas. O lugar, a Maison des Étudiants, é meio maluco, uma espécie de Centro Acadêmico, como temos na USP, mais arrumadinho, e mais orgânico, sei lá. A cerveja era ecossustentável e alguém escreveu 'ouvrez votre soleil interieur' no muralzinho. A banda que vimos foi bem esquisita, de um jazz etíope, cheio de quebradeira com um cantor muçulmano malucão, com alcance vocal surpreendente. A vibe do lugar tava meio estranha, decidimos ir à cidade. Nesta, já havíamos conhecido Manolo, Marina, Marta, espanhóis, e Gustavo e Lara, brasileiros, todos amigos da Clarissa, intercambistas aqui em Lille.
Primeiro round: bar Salseiro. Banda de Ska maomenos, vários loucão. Manolo alertando-nos de como Lille pode ficar violenta quando regada a álcool, um amigo dele tinha levado uma cutillada em uma briga de bar, outro uns pontos na cabeça. Acalmem-se, não foi nada disso que aconteceu conosco - o destino reservara-nos algo menos violento e mais divertido. Um árabe começou a falar com o Brown sobre como a França é maravilhosa, falando coisas do tipo 'a maioria dos árabes e muçulmanos daqui é meio enfezada, fala que existe muito preconceito, mas tudo depende de como você se posiciona em relação a isso, eu superei...'. Esse bar esgotou-se e fomos embora quando uns bêbados começaram a encher muito as meninas. Um dos personagens da noite conhecemos neste bar - El Magico es su nombre. Fomos então ao segundo round, descrito a seguir.
Segundo round: fomos à rua Solferino, lugar dos bares mais pops de Lille. Entramos em um bonito, com cara de hamburgueria americana, e bebemos umas cervejas. Fizemos alguns amigos franceses, que estavam fazendo aula de espanhol e queriam gastá-lo conosco. Ficamos um bom tempo lá, até eu e Brown sermos expulsos. Não fizemos nada de mais, juro. É que a cerveja é meio cara e eu vi um pint dando sopa, só que atrás do balcão. Estava lá há muito tempo e não tinha dono. Entrei no balcão e peguei, com sucesso. Mas aí vem o exagero: da primeira vez funcionou, por que não funcionaria da segunda? Saímos para tomar um ar e quando voltamos, roubei a cerveja do segurança, um negão gordo com quem tínhamos conversado um pouco na entrada. A cerveja estava num balcão atrás dele, e ele estava brigandinho com uma galera na porta. Peguei a cerveja, saí andando e ele gritou pra mim. Fingi que não sabia o que estava acontecendo, claro. Ele veio e mostrou que sabia que eu estava com sua cerveja. Fui devolvê-la e ele foi pegá-la de mim ao mesmo tempo e o resultado é que a cerveja caiu toda nele. O verbo 'foder' conjugado na primeira pessoa do singular no pretérito simples me piscou em neon na cabeça. Mas, como o professor que fica triste de ter que tirar o aluno da sala, apenas apontou-nos a saída - Brown estava do meu lado. Chamamos o resto da galeris e fomos ao terceiro round.
Estamos meio atrasados pra pegar o trem pra Bruxelas, então divido em dois este post. Tem MUITA coisa pra acontecer, ainda, viu, amiguinhos?
Li tudinho obviamente. E só tenho duas coisas a declarar: não brinca com a sorte, não desrespeita gente grande. Sério. Nem todo o mundo é leniente com engraçadinhos como o Brasil.
ResponderExcluirCacete, Iago, justo o negão gordo?? hahahaha meeeu deus... escreve mais pra saber q c ta vivo... te digo que já botei mais fé que hoje
ResponderExcluirClariSSA
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